Mesmo que você não seja fã de quadrinhos, já deve ter ouvido
falar na Marvel Comics, uma das maiores editoras do mundo especializada no
universo dos super-heróis. Apesar do sucesso atual, o que muitos não sabem é
que ela esteve muito perto de fechar as portas em 1996. E hoje podemos aprender
muito com sua história sobre como superar uma crise e gerir os investimentos
pessoais.
A crise da Marvel começou em 1994 devido à greve da Major
League of Baseball. A editora era dona dos direitos de venda dos cards da MLB –
uma verdadeira febre entre os americanos. E a estratégia da diretoria da Marvel
na época, então presidida por Ron Perelman, era transformar a editora em uma
gigante do mundo do merchandising esportivo, focada principalmente nos cards.
E graças à greve de 1994, a venda de cards foi um desastre e
a editora passou por uma forte crise financeira. O ápice da crise foi em 1996,
quando a editora entrou com um processo de falência nas cortes americanas.
Além do mais, a década de 90 foi considerada como uma das
piores em termos criativos para a Marvel. As histórias eram fracas e as vendas
de HQs despencaram, inclusive para a DC Comics – editora de propriedade da
Warner Bros e maior rival da Marvel, dona de personagens como Superman e Batman.
Tanto que, para tentar atrair novos leitores, as editoras eram obrigadas a
tomar medidas extremas que desagradaram muito os fãs: o Superman morreu e teve
seus poderes alterados; o Batman ficou paraplégico, o Homem-Aranha não era o
Homem-Aranha e por aí vai. Vários títulos que tinham pouco apelo ou estavam
encalhando nas comics shops (as bancas americanas) foram cancelados.
Outro problema enfrentado pela Marvel foi que seus
principais desenhistas resolveram montar uma editora própria, a Image Comics,
visando maior liberdade criativa e mais lucros com os licenciamentos dos
personagens.
Para tentar se reestruturar, a Marvel tomou uma medida
drástica: vendeu os direitos cinematográficos de parte do seu catálogo de
personagens para outras empresas, como a Sony, Paramount e Universal.
A partir de 1998, vários filmes começam a sair por
diferentes estúdios e mesmo tendo um percentual pequeno dos lucros, a Marvel
conseguiu se reestruturar e sair da crise. E aproveitando a onda de sucessos no
cinema, ela começou a produzir e distribuir seus próprios filmes, como Capitão
América e Hulk.
O sucesso de Homem de Ferro, que arrecadou meio bilhão de
dólares, trouxe novamente a Marvel para o topo do mundo do entretenimento. E em
2009, foi comprada pela Disney por US$ 4 bilhões.
Hoje, a Marvel é uma das maiores produtoras do mundo do
cinema, tendo expandido suas operações para a TV e internet. E com a abertura
para novos roteiristas e desenhistas, a Marvel voltou a ser a maior editora de
HQs no mundo inteiro.
E o que a crise da Marvel Comics tem a ensinar ao
investidor?
1 – Nunca aposte todo o seu capital em um único
empreendimento
No caso acima, a editora investiu tudo no mercado de cards e quase quebrou em 1994 devido à greve. Portanto saiba como diversificar para não ficar dependente de uma única fonte de renda ou investimento.
2 – Não acumule prejuízos
Às vezes, é necessário que você se livre de alguns ativos visando recuperar-se financeiramente após um prejuízo. Não adianta você ter vários ativos se estes não estão trazendo lucros. A Marvel, por exemplo, teve que vender parte dos direitos cinematográficos para poder levantar fundos e sair da bancarrota. E graças aos sucessos que vieram, a editora tem recuperado, aos poucos, parte dos direitos vendidos.
3 – Analise seus gastos e corte os desnecessários
Diminuir nossas despesas, cortando certos luxos ou procurando marcas de boa qualidade mas com preços mais acessíveis não significa o fim do mundo. Não adianta você ter um carro esporte que faz 5km/l sendo que você não está conseguindo nem colocar gasolina nele. Vale a pena comprar um carro mais simples e mais econômico. Vide a Marvel: ela teve que cancelar alguns títulos, apesar de críticas dos fãs. Analisar seus gastos e descobrir para onde o nosso dinheiro vai é importante quando se trata de evitar desperdícios.
4 – Procure novas alternativas
Bater sempre na mesma tecla pode ser um erro. Procurar novas
alternativas de negócios e investimentos para expandir seus horizontes pode ser
uma boa ideia; tal qual a Marvel fez em não continuar insistindo somente na
venda de cards e buscando licenciar seus direitos cinematográficos para grandes
produtoras.
5 – Reestruturação não significa o fim
Organizar a nossa vida financeira, analisar gastos,
diversificação de investimentos e, principalmente, procurar ajuda de
especialistas não significa que você falhou. Vale a pena dar um passo para trás
visando dar dois para frente no futuro. Assim como a Marvel teve que esperar
anos para se reestruturar, talvez você também precise dar tempo ao tempo para
construir um patrimônio sólido e assim, realizar seus sonhos!
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG DA CORRETORA RICO (WWW.BLOG.RICO.COM.VC) EM AGOSTO DE 2014

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